Ginecologista mostrando esquema de útero saudável e com miomas em painel digital

Miomas uterinos: quando é possível tratar sem retirar o útero? Essa pergunta surge com frequência no consultório, principalmente quando compartilho que diversas mulheres convivem com esse diagnóstico sem saber que existe, sim, possibilidade de tratamento sem perder o útero. O tema é cercado de dúvidas, receios e expectativas, especialmente porque envolve não só a saúde física, mas também questões sobre fertilidade, identidade e qualidade de vida. Vou abordar, com cuidado e clareza, tudo que aprendi ao longo dos anos sobre alternativas seguras e modernas nesse cenário.

O que são miomas uterinos?

Miomas, também chamados de fibromas, são tumores benignos de tecido muscular do útero. São bastante comuns: pesquisas mostram que grande parte das mulheres terá miomas em algum momento da vida fértil, mesmo sem sintomas.

Essas formações são geralmente arredondadas e podem variar bastante de tamanho, número e localização. Enquanto algumas mulheres têm um único mioma pequeno, outras podem apresentar múltiplos, alguns com volume expressivo, capazes de distorcer o contorno do útero.

Apesar de benignos, os miomas podem causar sintomas intensos que afetam a rotina e o bem-estar emocional. Alguns permanecem silenciosos, descobertos por acaso, mas outros impactam diretamente na qualidade de vida.

Tipos de miomas, de acordo com a localização

Em meus atendimentos, sempre oriento que a classificação dos miomas faz diferença na abordagem terapêutica:

  • Submucosos: crescem logo abaixo do revestimento interno do útero (endométrio), e podem causar sangramento intenso.
  • Intramurais: localizam-se dentro da parede muscular uterina, e tendem a aumentar o volume do útero.
  • Subserosos: ficam próximo à superfície externa do útero. Normalmente não alteram o ciclo menstrual, mas podem causar compressão de órgãos vizinhos.

Existem ainda miomas pediculados, ligados ao útero por uma haste, que podem se projetar para fora (subserosos) ou para dentro da cavidade uterina (submucosos).

Principais sintomas e como afetam a mulher

Quando encontro uma paciente que sente algum mal-estar, costumo perguntar sobre ciclos menstruais, volume do fluxo e dor pélvica. Muitos miomas não provocam sintoma algum, mas, quando aparecem, os sinais mais comuns são:

  • Menstruação prolongada ou intensa, com ou sem coágulos, podendo levar à anemia
  • Dores abdominais ou pélvicas persistentes
  • Peso na pelve ou sensação de aumento do abdome inferior
  • Vontade frequente de urinar, devido à compressão da bexiga
  • Dificuldade para evacuar quando o intestino é comprimido
  • Dores em relações sexuais
  • Dificuldade para engravidar ou perdas gestacionais

Fico impressionado com quantas mulheres se acostumam com esses sintomas, acreditando que “é normal”. Muitas só descobrem que existe opção de tratamento menos invasivo após conversar com um especialista.

Mioma não precisa ser motivo de sofrimento silencioso.

Impacto dos miomas na vida, fertilidade e autoestima

Ter diagnóstico de mioma pode comprometer autoestima, produtividade e até relações pessoais. Conviver com sangramento intenso, dor ou desconforto abdominal provoca limitações sociais e no trabalho. Em minha experiência, já vi relatos marcantes sobre perdas de oportunidades, medo de sair de casa, insegurança em atividades simples.

O impacto emocional também aparece quando o desejo de gestar está presente. A preocupação com possíveis consequências dos miomas na fertilidade ou durante a gravidez merece acolhimento e orientação cuidadosa.

Diagnóstico dos miomas uterinos

Descobrir miomas atualmente costuma ser simples. Com a evolução dos exames de imagem, é possível avaliar com precisão tamanho, número, localização e características dessas lesões.

Sinais de alerta nos exames físicos

O diagnóstico pode começar no exame ginecológico, ao notar aumento do volume uterino ou nódulos. Mas frequentemente o diagnóstico é confirmado por métodos não invasivos.

Métodos de imagem mais usados


  • Ultrassonografia transvaginal: principal exame para investigar miomas, permitindo avaliar seu tamanho e posição no útero.
  • Ressonância magnética pélvica: indicada em casos mais complexos, múltiplos miomas ou visando planejamento cirúrgico detalhado.

Esses exames também ajudam a descartar outras causas para sintomas parecidos, como adenomiose ou lesões malignas, e têm papel fundamental no planejamento do tratamento.

Quando é necessário tratar?

Miomas sem sintomas, especialmente pequenos e fora da cavidade uterina, podem apenas ser acompanhados. Mas em muitos casos, o tratamento ativa se faz necessário. Isso depende não só do tamanho dos miomas, mas também dos efeitos que eles provocam e do desejo da mulher em preservar o útero.

Gosto de repetir que cada paciente é única e é a soma dos sintomas, objetivos e expectativas pessoais que orienta o caminho terapêutico.

  • Sangramento intenso, anemia ou dor constante
  • Aumento abdominal visível e desconforto
  • Infertilidade de causa não explicada
  • Desejo de preservar fertilidade e/ou o próprio útero

Em situações como essas, é o momento de conversar sobre as opções, sempre priorizando a saúde e o desejo da paciente.

Alternativas de tratamento com preservação do útero

Até pouco tempo atrás, muitas mulheres acreditavam que o único caminho era a retirada total do útero (histerectomia). Hoje, sei que podemos propor opções cirúrgicas e não cirúrgicas com bastante segurança, com foco em preservar o órgão e as funções reprodutivas quando possível.

As principais técnicas voltadas para essa preservação, que detalharei a seguir, são a miomectomia e a embolização dos miomas.

Miomectomia: retirando apenas os miomas

Miomectomia é uma cirurgia que remove apenas os miomas, mantendo o útero. É indicada principalmente para mulheres jovens, com desejo reprodutivo, ou quando a preservação do órgão é prioritária.

Essa cirurgia pode ser realizada de diferentes maneiras, dependendo do tamanho, quantidade e localização dos miomas, além do quadro clínico geral da paciente.

Miomectomia aberta (laparotomia)

Nesse método tradicional, é feita uma incisão abdominal semelhante à da cesárea. Recorro a ela quando os miomas são volumosos, numerosos ou quando outros métodos não são possíveis.

Apesar de eficaz, a recuperação costuma levar de 2 a 6 semanas, com cicatriz visível e risco um pouco maior de aderências abdominais.

Miomectomia laparoscópica

Nesse caso, são feitas pequenas incisões no abdome, por onde entram microcâmeras e instrumentos cirúrgicos delicados. A imagem do procedimento aparece em telas de alta definição, o que permite extrema precisão na remoção dos miomas sem agredir o restante do útero.

Menos dor, recuperação rápida e cicatrizes discretas são grandes benefícios da laparoscopia.

Costumo recomendar essa técnica para miomas de até 8-10 cm em locais acessíveis, especialmente quando a paciente busca rápida retomada das atividades.

Miomectomia robótica


Combina todos os benefícios da videolaparoscopia, mas com tecnologia de precisão avançada.

Nesse método, o cirurgião controla braços robóticos que realizam movimentos finos e detalhados, reduzindo ainda mais o trauma tecidual. A visão de 3D ampliada faz diferença, principalmente na preservação da fertilidade.

Na minha vivência, percebo menos perdas sanguíneas, menor necessidade de transfusão, rápida alta e resultados estéticos excelentes.

Miomectomia histeroscópica

Indicada apenas para miomas localizados dentro da cavidade uterina (submucosos). Introduz-se um aparelho pelo colo do útero, sem cortes abdominais. A paciente costuma ter alta no mesmo dia, com retorno precoce às atividades.

Caso a paciente não se enquadre em um desses métodos (por localização ou número dos miomas), sempre avalio a soma das técnicas para individualizar o tratamento.

Embolização de miomas uterinos

Embolização é um procedimento não cirúrgico, realizado por radiologista intervencionista, que visa “secar” os miomas, bloqueando a chegada do sangue até eles. Utilizando um fino cateter pela artéria da virilha ou braço, partículas são injetadas nos vasos que nutrem os miomas, promovendo o encolhimento progressivo dessas estruturas.

Costumo indicar para mulheres que desejam manter o útero, mas não querem ou não podem se submeter à cirurgia.

  • Recuperação geralmente rápida: alta em até dois dias, retorno breve ao trabalho
  • Os miomas diminuem de tamanho ao longo de semanas a meses, reduzindo sintomas
  • Não envolve cortes nem cicatrizes abdominais

É uma alternativa bastante promissora, com taxas de satisfação elevadas em relatos de pacientes.

Comparando técnicas preservadoras com a histerectomia

Histerectomia é a retirada completa do útero, solução definitiva, porém irreversível. Nessa abordagem, a menstruação e a possibilidade de gestar são extintas.

Apesar de ainda ser indicada em casos de suspeita de câncer, miomas gigantes ou falha de tratamentos menos invasivos, percebo que, cada vez mais, as pacientes procuram métodos preservadores.

  • Recuperação: Cirurgias minimamente invasivas e embolização proporcionam alta hospitalar precoce, menos dor e retorno acelerado à rotina se comparadas à histerectomia aberta.
  • Consequências emocionais: Manter o útero reduz o impacto psicológico para muitas mulheres. A decisão entre remover ou preservar deve respeitar a vontade e o projeto de vida da paciente.
  • Fertilidade: Miomectomia mantém o potencial de gravidez; a embolização pode diminuir essa chance em alguns casos específicos.

Quando cada tratamento é indicado?

Não existe fórmula única para todos, por isso explico às pacientes que a escolha depende de fatores como idade, desejo de gestação, sintomas, riscos cirúrgicos e características dos miomas.

  • Miomectomia: Preferida em mulheres que desejam gestar. Indicada para miomas submucosos, intramurais e subserosos sintomáticos quando a preservação uterina é buscada.
  • Embolização: Mais indicada em pacientes sem desejo gestacional imediato, com múltiplos miomas, contraindicação cirúrgica ou recusa do procedimento invasivo.
  • Histerectomia: Reservada para miomas enormes, sintomas graves que não melhoram com outras abordagens, falhas terapêuticas prévias, ou suspeita de câncer.

Cada indicação é baseada em análise multidimensional, levando em conta exames, sintomas e expectativas pessoais.

Benefícios das técnicas minimamente invasivas


Cirurgias laparoscópicas, robóticas e a embolização têm revolucionado o cuidado dos miomas. As vantagens notadas nas pacientes incluem:

  • Tempo de internação reduzido (geralmente de 1 a 2 dias)
  • Menor trauma corporal e dor pós-operatória controlada com analgésicos simples
  • Retorno ao trabalho e à rotina em poucos dias a semanas, comparado a meses após cirurgia aberta
  • Cicatrizes pequenas e quase imperceptíveis
  • Baixo índice de complicações, como infecções e aderências

No entanto, como cada corpo responde diferente, faço sempre acompanhamento próximo no pós-operatório, ajustando recomendações e verificando o sucesso da técnica escolhida.

Quais riscos e limitações existem?

Assim como qualquer procedimento, tratamentos para miomas com preservação uterina trazem riscos. Costumo detalhar cada opção na consulta, para que a mulher possa decidir com segurança.

  • Miomectomia: Pequena chance de hemorragia, infecção ou necessidade de conversão para histerectomia se houver sangramento significativo. Risco de aderências e, em miomas submucosos, raros casos de perfuração uterina. Miomas podem retornar com o tempo.
  • Embolização: Dor pélvica intensa na recuperação breve. Possível febre ou reação inflamatória. Risco (baixo) de lesão do ovário e redução da reserva uterina, especialmente em mulheres próximas à menopausa.
  • Histeroscopia: Riscos semelhantes aos da miomectomia, mas taxa ligeiramente maior de perfuração ou infecção, embora os índices sejam baixos.

Nos dois principais métodos (miomectomia e embolização), a ocorrência dos riscos sérios é pouco comum quando o procedimento é feito por profissionais experientes e com preparo adequado.

Preservação da fertilidade: é possível engravidar após o tratamento?

A maioria das mulheres que realiza miomectomia mantém seu potencial fértil, desde que o restante do útero esteja saudável.

Embolização, por não remover fisicamente as lesões, pode comprometer o fluxo sanguíneo para o útero e ovários, em casos raros. Por isso, costumo recomendar essa alternativa a mulheres que não pretendem engravidar, mas cada caso pode ser avaliado individualmente.

Muito importante: o momento certo para tentar engravidar após esses procedimentos deve ser orientado por acompanhamento médico, para garantir adequada cicatrização uterina e redução de riscos gestacionais.

Acompanhamento e escolha personalizada: como decidir?

Há alguns anos, recebi uma paciente que, após ouvir três opiniões diferentes, estava insegura sobre o melhor caminho a seguir. Essa experiência me marcou: percebi como o acolhimento, a escuta e o respeito aos desejos individuais podem transformar o processo de escolha em algo menos doloroso.

Por isso sempre proponho uma abordagem humanizada e dedicada:

  • Ouço atentamente as queixas, desejos, histórico de saúde e expectativa de vida da mulher
  • Peço exames específicos para avaliar detalhes dos miomas e do útero
  • Apresento todas as opções viáveis, com riscos e benefícios
  • Estimulo o esclarecimento de dúvidas e o envolvimento da paciente na decisão terapêutica
Cada roteiro de tratamento deve ser feito sob medida para cada mulher.

Outro ponto central: mulheres em idade fértil, com desejo gestacional, merecem avaliação especial. Oportunizo tratamento que preserve a fertilidade sempre que tecnicamente possível e seguro.

Quando buscar um especialista?

Recomendo procurar o ginecologista quando surgirem sintomas que impactam o dia a dia. Mesmo se o sintoma for discreto, exames anuais já são capazes de identificar alterações iniciais no útero.

  • Menstruações abundantes ou prolongadas
  • Cólicas intensas ou dor pélvica persistente
  • Dificuldade para engravidar
  • Aumento súbito do abdome sem explicação ou sensação de massa abdominal

Não espere o desconforto se tornar insuportável para buscar orientação. Quanto antes for feito o diagnóstico, maiores as chances de tratamento menos agressivo e de menor impacto físico e emocional.

Miomas uterinos: experiências e novas perspectivas

No meu olhar, tratamos não só miomas, mas todo contexto físico, emocional e de vida da mulher. Cada caso é um novo universo, com dúvidas, medos e esperanças próprios. Me orgulho dos avanços tecnológicos e das possibilidades atuais, que entregam resultados eficazes sem descartar sonhos e escolhas pessoais.

Hoje, compartilhar a segurança das técnicas minimamente invasivas, a precisão cirúrgica do robô, e os retornos positivos das pacientes transformou minha forma de enxergar o acompanhamento do mioma. A cada relato de recuperação rápida, melhora dos sintomas e preservação da fertilidade, sinto que a medicina caminha para um cuidado mais próximo, humano e respeitoso.

É possível tratar miomas e preservar o útero, respeitando a história e o desejo de cada mulher.

Converse, pergunte, informe-se. O caminho do cuidado começa no diálogo e no respeito ao que cada paciente valoriza para si e para o seu futuro.

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Dr. Kleberton Machado

Sobre o Autor

Dr. Kleberton Machado

Dr. Kleberton Machado é ginecologista especializado em cirurgia ginecológica integrada, com mais de 28 anos de experiência em Salvador. Referência em técnicas inovadoras e minimamente invasivas, realizou mais de 8 mil procedimentos, sempre priorizando tecnologia, segurança e humanização. Seu empenho é dedicado ao cuidado integral da saúde da mulher, com atendimento personalizado e excelência reconhecida na área.

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