Ilustração 3D de útero com pólipos destacados em vista cortada

Ao longo da minha experiência, vi muitas mulheres chegarem com a mesma dúvida: pólipos uterinos causam sintomas ou podem passar despercebidos? A resposta é sim para as duas situações. Em alguns casos, eles não provocam sinal algum e aparecem por acaso em exames de rotina. Em outros, geram sangramento fora do padrão, cólicas e mudanças no ciclo menstrual.

Pólipos uterinos são crescimentos do revestimento interno do útero, chamado endométrio.

Essas formações costumam ser benignas, ou seja, não cancerosas. Ainda assim, merecem atenção. Eu costumo explicar de forma simples: o endométrio é a camada que reveste a cavidade uterina por dentro, e o pólipo surge quando uma parte desse tecido cresce mais do que deveria, formando uma pequena projeção.

O que causa pólipos uterinos?

Nem sempre existe uma causa única. Na prática, eu observo que eles estão muito ligados à ação hormonal, principalmente do estrogênio, hormônio que estimula o crescimento do endométrio. Por isso, pólipos podem surgir em diferentes fases da vida reprodutiva e também perto da menopausa.

Entre os fatores de risco mais conhecidos, destaco:

  • Idade entre 40 e 50 anos, embora possam surgir antes.
  • Alterações hormonais.
  • Obesidade, que pode aumentar a produção hormonal periférica.
  • Pressão alta e diabetes, em alguns contextos.
  • Uso de certos medicamentos hormonais.

Isso não significa que toda mulher com esses fatores terá pólipos. Significa apenas que o risco pode ser maior e, por isso, o seguimento ginecológico faz diferença.

Quais sintomas podem aparecer?

Em muitos atendimentos, percebo que o primeiro alerta é o sangramento. Às vezes é discreto. Às vezes assusta. E esse é um ponto que não deve ser ignorado.

Pólipo sem sintoma existe. Sangramento anormal também.

Os sinais mais frequentes incluem:

  • Sangramento uterino anormal, como escapes entre as menstruações.
  • Menstruação mais volumosa ou mais longa.
  • Sangramento após relação sexual, em alguns casos.
  • Cólicas pélvicas ou sensação de peso no baixo ventre.
  • Sangramento após a menopausa.

Qualquer sangramento após a menopausa precisa de avaliação médica.

Também já vi casos em que a mulher notava apenas uma leve irregularidade menstrual e achava que era estresse. Pouco depois, o exame mostrava um pólipo. Por isso, mesmo sintomas discretos merecem ser valorizados quando se repetem.

Quando procurar avaliação?

Eu recomendo procurar atendimento quando houver sangramento fora do período menstrual, aumento do fluxo, cólicas que mudaram de padrão ou dificuldade para engravidar sem explicação aparente. Não é preciso esperar o sintoma piorar.

Se você quiser entender mais sobre condições ginecológicas que afetam o útero, vale consultar conteúdos da área de ginecologia, especialmente quando os sintomas começam a se repetir.

Pólipos podem atrapalhar a fertilidade?

Sim, podem. Nem todo pólipo causa infertilidade, mas alguns interferem. Isso acontece porque eles ocupam espaço dentro da cavidade uterina e podem dificultar a implantação do embrião, que é o processo em que o embrião se fixa no endométrio.

Quando o pólipo está dentro da cavidade uterina, ele pode prejudicar a chance de gestação.

Esse impacto varia conforme o tamanho, a localização e o número de pólipos. Um pólipo pequeno pode não trazer efeito algum. Já outro, localizado em área sensível da cavidade, pode alterar bastante o ambiente uterino. Em situações assim, a histeroscopia ajuda muito na definição do melhor caminho.

Em alguns contextos, também é útil conhecer temas relacionados, como aderências dentro do útero e a restauração da cavidade uterina, já que alterações da cavidade podem repercutir na fertilidade.

Há risco de câncer?

Na maioria das vezes, não. Pólipos uterinos são benignos. Mesmo assim, existe um pequeno risco de malignização em casos específicos, isto é, de o tecido apresentar células pré-cancerosas ou cancerosas.

Esse risco tende a ser maior quando há:

  • Sangramento após a menopausa.
  • Pólipos maiores.
  • Idade mais avançada.
  • Fatores hormonais e metabólicos associados.

É por isso que eu não trato todo pólipo da mesma forma. O contexto clínico muda a conduta.

Como identificar pólipos uterinos?

Os dois exames mais usados são a ultrassonografia transvaginal e a histeroscopia. A ultrassonografia transvaginal é um exame de imagem feito com um transdutor introduzido pela vagina. Ele permite visualizar útero, endométrio e ovários com boa definição.

Já a histeroscopia é um exame em que uma câmera fina entra pela vagina e pelo colo do útero para ver a cavidade uterina por dentro. Eu gosto de explicar assim: ela mostra o interior do útero de forma direta.

A histeroscopia pode diagnosticar e, em muitos casos, tratar o pólipo no mesmo processo.

Para entender melhor esse exame, vale a leitura sobre diferenças entre histeroscopia diagnóstica e cirúrgica. Em casos de lesões que sangram ou ocupam a cavidade, também ajuda saber como a histeroscopia pode tratar pólipos uterinos sem cortes externos.

Como é o tratamento?

O tratamento depende de sintomas, idade, desejo de engravidar, tamanho do pólipo e achados dos exames. Nem todo caso precisa de cirurgia imediata.

As possibilidades mais comuns são:

  • Acompanhamento, quando o pólipo é pequeno e sem sintomas.
  • Retirada por histeroscopia, quando há sangramento, infertilidade ou suspeita clínica.
  • Análise do material removido, para confirmar o diagnóstico no laboratório.

Em mulheres com alterações associadas da cavidade, a retirada do pólipo pode fazer parte de uma investigação mais ampla. Isso também ocorre quando há suspeita de lesões como miomas submucosos tratados por histeroscopia com preservação do útero, já que os sintomas podem se parecer.

Por que o acompanhamento regular faz diferença?

Eu acredito muito no valor do acompanhamento periódico, porque pólipos podem passar silenciosos por bastante tempo. Quando descobertos cedo, a decisão entre observar e remover tende a ser mais clara e segura.

Nem todo pólipo avisa que existe.

Se há sangramento anormal, cólica nova, alteração do ciclo ou dificuldade para engravidar, vale buscar avaliação ginecológica. O tratamento individualizado começa com um diagnóstico bem feito. E, nesse tema, ver cedo costuma mudar tudo.

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Dr. Kleberton Machado

Sobre o Autor

Dr. Kleberton Machado

Dr. Kleberton Machado é ginecologista especializado em cirurgia ginecológica integrada, com mais de 28 anos de experiência em Salvador. Referência em técnicas inovadoras e minimamente invasivas, realizou mais de 8 mil procedimentos, sempre priorizando tecnologia, segurança e humanização. Seu empenho é dedicado ao cuidado integral da saúde da mulher, com atendimento personalizado e excelência reconhecida na área.

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