Mulher com desconforto pélvico em ambiente de atendimento médico, ilustrando a importância de avaliar rapidamente uma possível torção ovariana.

A torção ovariana acontece quando o ovário gira sobre os tecidos que o sustentam e pode comprometer seu suprimento de sangue. Dor pélvica súbita, sobretudo de um lado e acompanhada de náuseas ou vômitos, exige avaliação imediata em um pronto atendimento.

Reconhecer a urgência é importante, mas só uma equipe médica pode investigar a causa e decidir o tratamento.

O que você precisa saber sobre a torção ovariana?

  • O sinal mais típico é uma dor pélvica ou abdominal de início súbito, muitas vezes unilateral.

  • Náuseas e vômitos podem acompanhar a dor; episódios que melhoram e voltam também merecem atenção.

  • Cistos e massas ovarianas podem aumentar o risco, mas a torção pode ocorrer sem um cisto conhecido.

  • O ultrassom ajuda na investigação, mas fluxo visível no Doppler não exclui o problema.

  • Se houver suspeita, a avaliação precisa ser urgente. O tratamento pode envolver cirurgia para destorcer e preservar o ovário.

O que acontece quando o ovário torce?

O ovário fica preso à pelve por ligamentos e estruturas que também contêm vasos sanguíneos. Quando gira sobre esses pontos de sustentação, pode haver dificuldade no retorno do sangue e, se a torção persistir, redução do fluxo que chega ao órgão.

Essa alteração pode causar inchaço e comprometer o tecido ovariano. A intensidade da dor e a evolução variam: em alguns casos, a torção é parcial ou intermitente, o que pode fazer os sintomas oscilarem. Por isso, uma melhora passageira não é garantia de que o quadro se resolveu.

O termo torção anexial também pode ser usado quando a trompa, junto com o ovário, participa da rotação. Em qualquer caso, a possibilidade de comprometimento da circulação torna necessária uma avaliação rápida.

Quais sintomas podem indicar um ovário torcido?

O sinal mais comum é dor pélvica ou na parte baixa do abdômen que começa de repente, frequentemente de um lado. Ela pode ser intensa, constante ou aparecer em crises. Náuseas e vômitos são sintomas associados importantes, mas nem todas as pacientes apresentam o mesmo conjunto de sinais.

Fique atenta a situações como:

  • Dor súbita que dificulta caminhar, ficar em pé ou realizar atividades habituais;

  • Dor que melhora e retorna, ou que se torna progressivamente mais intensa;

  • Dor acompanhada de náuseas, vômitos ou sensibilidade abdominal;

  • Dor pélvica aguda durante uma gravidez ou após tratamento de fertilidade.

Esses sintomas não confirmam torção: cistos, gravidez ectópica, apendicite e outras condições também podem causar dor. Ainda assim, uma dor forte e repentina não deve ser tratada como simples “fisgada no ovário” sem avaliação profissional.

Se a dor for intensa ou vier com vômitos, procure atendimento de urgência.

Mulher com dor pélvica súbita e unilateral, um sinal que exige avaliação médica urgente.

Quem tem maior risco de torção ovariana?

Cistos ou outras massas podem aumentar o volume e o peso do ovário, facilitando sua rotação. Ter um cisto, porém, não significa que haverá torção, e a maioria das dores associadas a cistos não corresponde automaticamente a essa emergência. A necessidade de acompanhar cada achado depende de sintomas, características da imagem e avaliação clínica.

A torção também pode ocorrer sem uma massa conhecida, especialmente em adolescentes. A orientação do ACOG sobre pacientes adolescentes relata que até 46% dos casos podem envolver um ovário sem cisto ou massa associada. Isso reforça que a ausência de cisto não deve ser usada para descartar a hipótese nessa faixa etária.

Quem já recebeu diagnóstico de cisto pode conversar com o ginecologista sobre sinais que pedem acompanhamento do cisto.

Essa orientação ajuda a planejar o cuidado, mas não substitui a ida ao pronto atendimento quando surge dor súbita e intensa.

O que fazer diante de uma dor pélvica súbita?

Procure um pronto atendimento sem esperar uma consulta de rotina se a dor for forte, repentina ou vier com vômitos. A avaliação urgente permite investigar torção e outras causas que também podem exigir tratamento rápido. Se você se sentir fraca, desmaiar ou não conseguir se deslocar com segurança, peça ajuda para chegar ao serviço de emergência.

Ao falar com a equipe, informe de forma objetiva:

  • Quando a dor começou e se está de um lado ou dos dois;

  • Se ela vai e volta, piorou ou mudou de localização;

  • Se houve náuseas, vômitos, febre ou desmaio;

  • Se há possibilidade de gravidez, cisto conhecido, tratamento de fertilidade ou episódio semelhante anterior.

Não tente concluir que é apenas um cisto ou uma dor menstrual e não adie o atendimento para observar se passa. O histórico ajuda a equipe, mas não substitui o exame. Se já fez algum exame de imagem, leve o resultado disponível, sem deixar que isso atrase a procura por atendimento.

Como a equipe investiga uma possível torção?

O diagnóstico começa pela história dos sintomas e pela avaliação clínica. A equipe pode solicitar ultrassonografia pélvica, por via transvaginal ou abdominal conforme cada caso, frequentemente com Doppler, para observar o tamanho e o aspecto dos ovários e o fluxo sanguíneo.

O ultrassom oferece informações importantes, mas não existe um achado isolado que confirme ou descarte todos os casos. Em especial, ver fluxo no Doppler não afasta a torção: o fluxo pode permanecer visível em situações de torção intermitente ou por causa da circulação do próprio ovário. O ACOG alerta que o Doppler isolado não deve orientar a decisão clínica.

Exames de sangue e outros exames de imagem podem ser solicitados para avaliar a paciente ou investigar causas alternativas da dor. Se a suspeita continuar alta, a equipe ginecológica pode considerar a laparoscopia, que permite observar diretamente a região e tratar a torção.

Um exame inconclusivo não deve ser interpretado pela paciente como autorização para ignorar sintomas intensos.

Equipe ginecológica explica a avaliação e as opções de tratamento de forma acolhedora antes de uma possível cirurgia.

Como é o tratamento e quando o ovário pode ser preservado?

Quando a torção é considerada provável, a conduta pode ser cirúrgica e urgente. Na videolaparoscopia, a equipe acessa a pelve por pequenas incisões, examina o ovário e, quando indicado, desfaz a rotação. A escolha da técnica depende do quadro clínico, dos achados e da avaliação da equipe.

O objetivo costuma ser preservar o ovário sempre que possível, inclusive quando sua aparência inicial está alterada. A diretriz do ACOG para adolescentes recomenda destorcer e preservar as estruturas anexiais quando viável, em vez de decidir pela retirada apenas com base na aparência do órgão. A conduta para cada paciente, no entanto, deve ser individualizada.

A retirada de um cisto, caso exista, pode ser feita no mesmo procedimento ou planejada para outro momento, conforme as condições encontradas. A equipe explica os benefícios e riscos de cada opção.

Para entender como a cirurgia ginecológica pode ser feita com técnicas minimamente invasivas, leia sobre laparoscopia e preservação ovariana.

O que esperar depois do tratamento?

A recuperação varia conforme o procedimento, os sintomas e a condição encontrada durante a cirurgia. A equipe orienta sobre cuidados com as incisões, retorno às atividades, controle da dor e sinais que justificam novo contato médico. Siga as instruções recebidas e compareça às consultas de acompanhamento.

Uma torção não significa automaticamente perda do ovário ou infertilidade. O impacto depende de fatores como a extensão do comprometimento, o tratamento realizado e a saúde reprodutiva individual. Se a fertilidade for uma preocupação, converse com a equipe sobre o que os achados do seu caso significam, em vez de tirar conclusões apenas pela intensidade da dor ou pela aparência inicial do ovário.

Em Salvador, o Dr. Kleberton Machado atua em cirurgia ginecológica, incluindo técnicas como laparoscopia, com atenção à segurança e ao cuidado individualizado. Após o atendimento da urgência, uma consulta pode ajudar a planejar o acompanhamento.

As orientações de recuperação após cirurgia ginecológica também podem apoiar o seguimento, sempre junto às recomendações do profissional responsável.

Perguntas frequentes

Quais são os sintomas de um ovário torcido?

Os sinais mais comuns são dor pélvica súbita, geralmente de um lado, acompanhada de náuseas ou vômitos. A dor também pode oscilar antes de piorar. Como esses sintomas se confundem com outras urgências, não espere que desapareçam: procure pronto atendimento, sobretudo se a dor for intensa ou persistente.

A torção no ovário é tratada por cirurgia?

Sim. Quando há suspeita clínica, a equipe pode indicar cirurgia por videolaparoscopia para confirmar o diagnóstico e destorcer o ovário. A decisão depende da avaliação de cada caso. O objetivo costuma ser preservar o ovário sempre que isso for possível, mas apenas a equipe médica pode definir a conduta adequada.

Quando a dor no ovário é preocupante?

A dor merece avaliação urgente quando começa de repente, é forte ou se concentra em um lado da pelve, especialmente se vier com náuseas ou vômitos. Dor que melhora e retorna também não deve ser ignorada. Procure um pronto atendimento, pois não é possível confirmar a causa apenas pelos sintomas.

É possível ter torção ovariana sem cisto?

Sim. A torção pode ocorrer sem um cisto ou massa identificável, sobretudo em adolescentes. Por isso, não ter diagnóstico prévio de cisto não elimina a possibilidade. A intensidade e o início da dor, os sintomas associados e a avaliação médica ajudam a decidir se é necessário investigar uma urgência ginecológica.

O ultrassom com Doppler descarta torção se mostra fluxo?

Não. A presença de fluxo sanguíneo no Doppler, por si só, não descarta torção. O resultado precisa ser interpretado junto com os sintomas, o exame clínico e outros achados da imagem. Se a suspeita persistir, a equipe pode recomendar avaliação ginecológica urgente mesmo com fluxo visível.

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Dr. Kleberton Machado

Sobre o Autor

Dr. Kleberton Machado

Dr. Kleberton Machado é ginecologista especializado em cirurgia ginecológica integrada, com mais de 28 anos de experiência em Salvador. Referência em técnicas inovadoras e minimamente invasivas, realizou mais de 8 mil procedimentos, sempre priorizando tecnologia, segurança e humanização. Seu empenho é dedicado ao cuidado integral da saúde da mulher, com atendimento personalizado e excelência reconhecida na área.

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